Durante muitos anos eu me senti deslocada dentro da minha própria família.
Eu era a quieta. A que não gostava de barulho. A que se cansava nas festas cheias de música alta e conversas vazias.
Enquanto muitos celebravam no barulho, eu me refugiava no silêncio.
E, por muitas vezes, eu me esforcei para ser aceita.
Queria que gostassem de mim.
Queria que minha me olhassem como …
Queria me sentir vista.
Mas dentro de mim havia sempre a sensação de não pertencer.
Com o tempo, entendi algo muito profundo:
Deus não cria cópias. Ele cria propósitos.
Aquilo que eu achava que era defeito — minha sensibilidade, minha quietude, meu jeito reservado — era, na verdade, ferramenta nas mãos de Deus.
Enquanto alguns são chamados para ambientes de multidão, outros são chamados para ambientes de cuidado.
Eu fui formada no silêncio.
Eu fui moldada na profundidade.
Eu fui treinada na sensibilidade.
E aquilo que parecia rejeição, Deus estava transformando em preparação.
Em junho de 2020, perdi uma das únicas pessoas que me amava de forma clara e verdadeira.
Aquela perda abriu um espaço enorme no meu coração. Mas Deus, que nunca nos deixa sem consolo, me mostrou algo que eu não enxergava.
Hoje meu irmão mora aqui em Curitiba também. E ele constantemente me diz que sou exemplo para ele. Que cuidei dele como um filho. Que sou referência. Que sou forte. Que faço o que quero com coragem.
E todas as vezes que ele fala isso, algo dentro de mim é restaurado.
A menina que queria ser vista, hoje é referência.
A menina que queria amor, hoje é exemplo de amor.
A menina que se sentia deslocada, hoje entende que era diferente porque era chamada.
Talvez você que está lendo isso também se sinta assim.
Deslocada. Diferente. Sensível demais.
Mas deixa eu te dizer algo pastoralmente:
Ser diferente não é maldição.
É identidade.
É marca de propósito.
Deus não erra na formação de ninguém.
Ele nos fez à Sua imagem e semelhança.
E há personalidades que Ele forma no silêncio para cumprir missões profundas.
Hoje eu entendo que felicidade, para mim, não é barulho.
É paz.
É pertencimento.
É ser aceita como sou.
E eu sou suficiente porque Deus me formou assim.
Oração:
“Senhor,
Hoje eu Te entrego a menina que um dia se sentiu deslocada, invisível e diferente demais.
Cura as memórias que ainda doem.
Restaura dentro de mim aquilo que foi ferido pela comparação e pela ausência de reconhecimento.
Ensina-me a enxergar minha identidade através dos Teus olhos e não através das experiências do passado.
Se eu fui formada no silêncio, que eu floresça nele.
Se eu fui moldada na sensibilidade, que isso seja instrumento de cuidado e não motivo de vergonha.
Obrigado porque o Senhor transforma rejeição em propósito,
dor em amadurecimento,
e ausência em dependência de Ti.
Que eu não precise mais me esforçar para ser amada.
Que eu descanse na certeza de que sou escolhida, chamada e suficiente.
E que a minha vida seja abrigo para outros que também se sentem deslocados.
Em nome de Jesus,
Amém.”
A menina de sempre,
com carinho,
Pastora Sandra Rochedo,
Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.






