Há alguns anos, ouvi um líder dizer que “ministério é lugar de poucos amigos”. Na época, confesso que aquilo me chocou. Soava duro, quase pessimista. Eu ainda acreditava que o ministério seria o espaço mais seguro, mais acolhedor, mais parecido com o coração de Cristo.
Hoje, depois de viver na pele, entendo o que ele quis dizer.
O que mais dói não é a falta de pessoas, mas a incoerência. Discursos lindos sobre amor, unidade e sororidade, que não sobrevivem à primeira oportunidade de competição. Palavras espirituais que não se transformam em atitudes simples: ouvir, respeitar, proteger, caminhar junto.
É especialmente triste quando isso acontece entre mulheres. Mulheres que deveriam se apoiar, mas se medem. Que deveriam se curar juntas, mas competem. Quem é mais espiritual, quem aparece mais, quem chama mais atenção da liderança. E, nesse processo, o Evangelho vai ficando em segundo plano.
Jesus nunca nos ensinou a disputar espaço, mas a lavar pés. Nunca nos chamou para impressionar líderes, mas para amar pessoas — inclusive quando isso custa visibilidade, reconhecimento ou aplausos.
O problema é que, quando o ministério vira palco, pessoas viram degraus. E isso fere. Fere profundamente.
Essas atitudes não apenas machucam quem está dentro, mas afastam quem está fora. Pessoas cansadas, feridas, sensíveis, que chegam buscando refúgio e encontram comparação. Buscando graça e encontrando julgamento. Buscando comunhão e encontrando disputa.
Mesmo assim, precisamos escolher não permitir que a frieza dos outros nos transforme. Não podemos abandonar o Evangelho por causa de quem se esqueceu de vivê-lo. O chamado continua sendo o mesmo: amar como Cristo amou, ainda que isso signifique caminhar com poucos, em silêncio, com o coração ferido — mas íntegro.
Ministério não é sobre destaque. É sobre fidelidade.
Não é sobre quem aparece mais, mas sobre quem permanece parecido com Jesus.
Reflexão:
Tenho vivido o Evangelho que prego ou apenas repetido discursos bonitos?
Minhas atitudes constroem pontes ou levantam muros no Corpo de Cristo?
Oração:
“Senhor, cura meu coração das feridas causadas por relações quebradas dentro da Tua casa. Livra-me da competição, da comparação e da necessidade de validação humana. Ensina-me a viver o Evangelho na prática, mesmo quando dói. Que eu não perca a essência, nem endureça a alma. Quero ser parecida com Jesus, não apenas parecer espiritual. Amém.”
Pra Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.






