Quando dizer “não” também é um ato de fé:

Sandra Rochedo

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Nem toda porta que se abre foi Deus quem abriu.
E nem toda oportunidade que parece boa é adequada para o tempo que estamos vivendo.

Existe uma pressão silenciosa sobre nós, especialmente mulheres maduras, para provar que ainda damos conta, que a idade não limita, que as circunstâncias não importam. Como se reconhecer limites fosse sinal de fraqueza ou falta de fé. Mas a verdade é outra: discernimento também é espiritualidade.

Recentemente, me deparei com uma proposta que, à primeira vista, parecia possível. Antes de seguir adiante, fiz o que considero essencial: conversei com sinceridade. Falei das minhas dúvidas, das minhas limitações atuais, da fase da vida em que estou. A resposta foi clara e honesta. O trabalho exigia deslocamento, captação de imóveis, visitas presenciais, conversas com proprietários — muito mais do que a ideia inicial de algo “online” sugeria.

E naquele momento, algo dentro de mim se aquietou.
Não houve confusão. Não houve insistência.
Houve clareza.

Eu entendi que, para este tempo, aquele caminho não se ajustava à minha realidade. Então, decidi não seguir em frente. Cancelei. E, junto com o cancelamento, veio a paz.

Dizer “não” não foi desistir.
Foi respeitar meus limites.
Foi honrar meu corpo, minha saúde, meu momento.
Foi confiar que Deus não me chama para caminhos que me adoecem.

Há uma falsa ideia de fé que nos empurra para além do limite, como se Deus esperasse de nós um esforço constante para provar algo. Mas o Deus que nos conhece por inteiro também nos conduz com cuidado. Ele não nos expõe, Ele nos guarda.

Portas que se fecham com explicação e serenidade não são perdas. São direcionamentos. São livramentos sutis. São Deus dizendo: “não é por aqui, não agora”.

Se hoje você está lidando com limitações — sejam físicas, emocionais ou próprias da fase da vidasaiba: isso não te diminui. Apenas redefine o caminho. E tudo bem.

A paz que vem depois de um “não” consciente também é sinal da presença de Deus.

Reflexão:


Tenho confundido fé com esforço excessivo?
Será que Deus está me chamando para avançar… ou para descansar e confiar mais?

Oração:


“Senhor, me dá sensibilidade para discernir o tempo certo de avançar e o tempo de recuar.
Livra-me da culpa por reconhecer meus limites.
Ensina-me a dizer “sim” apenas ao que vem de Ti
e “não” ao que rouba minha paz.
Amém.”

Com carinho,
Pra Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.

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