Às vezes eu me pergunto se não estou sendo injusta.
Se não estou exagerando.
Se o problema sou eu.
Mas aí minha memória me puxa de volta para a realidade.
As caras feias.
As murmurações.
Os buchichos ditos pelas costas.
As vezes em que eu tentei falar… e a resposta foi raiva, defesa, acusação.
Quando eu falo, dizem que não têm nem direito de desabafar.
Quando eu me calo, esperam que eu aguente tudo.
Calada.
Forte.
Com um sorriso no rosto.
E diante dos outros… tudo muda.
Eu viro a “preciosa”.
O “tesouro”.
Recebo carinho, afeto, gestos bonitos.
Um amor que aparece só quando há plateia.
E confesso: a vontade que dá é de dizer que dói ver esse amor virar encenação.
Porque amor de verdade não precisa de público.
Não silencia.
Não machuca e depois se disfarça.
Talvez eu não seja injusta.
Talvez eu só esteja cansada de fingir que não vejo o que sinto.
Oração
“Deus,
Tu conheces meu coração melhor do que ninguém.
Tu sabes o peso que eu carrego em silêncio.
Me dá discernimento para entender o que é meu e o que não é.
Me dá coragem para não aceitar migalhas disfarçadas de amor
e sabedoria para falar quando for preciso…
ou me calar sem adoecer quando não houver espaço para ouvir.
Cuida de mim, Senhor.
Amém.”
Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.





