Tem dias que eu acordo e penso:
“Hoje vai dar tudo certo.”
Cinco minutos depois, a vida responde:
“Ah, é? Segura aí…”
E começou assim: acordei com o cabelo parecendo que briguei com um ventilador industrial. Nem o coque salvava. Passei em frente ao espelho e pensei: “Meu Deus, quem sou eu?”, e o espelho respondeu com sinceridade demais.
Fui fazer meu lanche da manhã. O chá quase virou tornado, o pão caiu de lado, e ainda tive a audácia de reclamar com a torradeira como se ela tivesse vida própria. Resultado: tomei meu chá olhando para a xícara como quem conversa com uma velha amiga que conhece todos os meus dramas.
Depois disso, resolvi ser organizada. Peguei a vassoura com a maior boa vontade do mundo…
Dois minutos depois já estava pedindo arrego.
Dei uma varridinha discreta só pra fingir que fiz.
A sujeira olhou pra mim e disse: “Só isso?”
E eu respondi mentalmente: “Por hoje é o que temos.”
E, claro, porque a vida ama me testar, derrubei exatamente aquilo que tinha acabado de limpar. É como se o universo dissesse:
“Vamos calibrar a paciência dessa daí.”
Mas no meio de tudo isso, eu comecei a rir. Rir da cena, rir do caos, rir da minha própria tentativa de ser adulta responsável. Rir porque a verdade é: tem dia que a gente vive uma comédia involuntária, e tudo bem.
Se eu não rio, eu surto.
Se não surto, eu durmo.
Se não durmo, eu como.
Se não como… bom, aí eu oro, né?
E quer saber?
A graça está justamente nisso:
nos dias bagunçados que viram histórias engraçadas depois.
Na xícara que quase cai, na vassoura que se recusa a cooperar, no cabelo rebelde que parece ter vida própria.
Porque no fim, a gente percebe que não controla tudo — só escolhe rir ou se estressar.
E hoje eu escolhi rir.
E olha… rendeu mais paz que muito sermão.
Reflexão :
A vida sempre vai ter uma baguncinha inesperada. A diferença é que quando a gente aprende a rir de si mesma, o dia fica mais leve, o coração fica mais macio e até os problemas ficam sem graça de incomodar.
Oração :
“Senhor, abençoa meu humor porque ele é o que me salva às vezes.
Me dá paciência pra lidar com o caos,
graça pra rir dos tombos,
e sabedoria pra não brigar com eletrodomésticos.
Amém.”
Com risadas, fé e um pouco de bagunça,
— Sandra Rochedo, Blog, S R Testemunhos, Transformando Limites.





